Entrevista IN THE SPOT: K1CK|HYPNO parte 2
Para além do insan3, tens recebido apoio de mais alguém para continuar a apostar nesta divisão dentro dos k1ck (nomeadamente do presidente spirit) ?
Já tinha tido algumas pessoas a dizerem-me para jogar quake, mas eu sempre disse que não tinha tempo e era um jogo novo, e no qual gostaria de ter um bom nÃvel e etc.
Afterall, neste momento encaro duma forma diferente, é bastante challenging vir do "nada" e começar a jogar este jogo, portanto cada vitória, cada progresso, conta bastante para mim.
O spirit sempre me apoiou e agora em Quake nao foi excepção. O eden dos k1ck também me tinha feito bastante pressão há uns tempos, mas não foi suficiente pa me demover, mas hoje em dia, ele ganhou a batalha. |
Falando agora um pouco da divisão em que te "edificaste" como um jogador de topo ... Como foi entrar em Wembley e sair de lá como vencedor e com um prizemoney de uma quantia tão considerável ?
Uma palavra: Unreal. Entrei a apontar para um top4 e já ficaria muito feliz, e acabei por sair vencedor. O facto de estar a jogar em LAN fez de mim um jogador muito melhor, fiquei bastante espantado nas practice matches por não perder um único jogo e ganhei alguma confiança no princÃpio do torneio.
No entanto, já caracterÃstico de mim, nunca pensei que poderia ganhar, até me deparar na final. Basicamente esse torneio revolucionou um pouco a minha imagem no gaming, fiquei reconhecido em vários jogos e consegui até atrair os media nacionais, inclusivé a RTP, SIC e Diário Económico.
Foi extremamente gratificante para mim a minha vitória ter tido tamanha importância, não só no mundo do gaming, mas também cá "fora". Para além disso os meus pais mais uma vez subiram o respeito que tinham em relação aos jogos que eu jogava.
Lembro-me que anos antes pouco ou nada me respeitavam, pensavam que era uma perda de tempo. Hoje em dia têm uma visão totalmente diferente e lembro-me que quando vim para Portugal depois do torneio de wembley, uma semana depois tinha o torneio em newbury (i33), e a minha mãe perguntou-me porque é que eu não estava a treinar, o que foi épico.
Anyway, para além desta grande vitória que tive, a maior vitória que tive foi mesmo o respeito dos meus pais, o que foi sem dúvida algo que nunca pensaria alcançar. |
Pegando no que disseste na tua resposta anterior, como foi lidar com os media em Portugal e aparecer pela primeira vez nas cameras da tv de dois dos principais canais portugueses ?
Foi uma experiência muito boa mas ao mesmo tempo um pouco assustadora. Senti-me de certa forma responsável pela imagem dos e-Sports em Portugal.
Infelizmente as peças sobre e-Sports que via nos media portugueses normalmente eram bastante pobres, misturando alhos com bugalhos, ESWC com jogadores de WoW casuais, enfim, uma misturada que resultou numa imagem totalmente deturpada do gaming competitivo.
No entanto, antes das reportagens tive o cuidado de perceber como é que queriam conduzir as peças televisivas, e se queriam realmente saber a verdade sobre os e-Sports ou se me iam associar a um jovem alemão que jogava CS 1.6 e matou a familia.
Felizmente acho que fizeram um bom trabalho e não cometeram erros graves. No entanto, penso que faça falta em Portugal um documentário aprofundado sobre esta realidade, que mostre os lados positivos e negativos mas a um nÃvel realÃstico e sem associações absurdas com jogadores de GTA, WoW (com mortes à mistura), etc. |
Como foi a tua passagem pelos dignitas e pelos four kings ? Que diferenças há a destacar entre essas organizações internacionais comparadas com as nossas ?
Uma diferença grande é obviamente o budget existente destas organizações para uma organização Portuguesa. O Reino Unido obviamente pode fornecer mais apoios a uma organização deste tipo, tendo as marcas sediadas lá e sendo tudo mais fácil.
O problema de Portugal é estar aqui no cantinho da Europa. Estamos muito escondidos e as marcas não estão cá, normalmente estão em Espanha até, sendo assim a nÃvel Ibérico.
Portanto, com mais dinheiro, tudo muda, tanto a nÃvel organizacional como a nÃvel das condições que se podem oferecer aos jogadores, aumentando assim o rendimento, e por aà fora: uma bola de neve portanto.
Relativamente à minha passagem por estas duas organizações foi bastante positiva. Foi bom estar em contacto com estes dois gigantes dos e-Sports, o que me possibilitou deslocar-me até Wembley, por exemplo, o que provavelmente não teria sido possÃvel se estivesse numa organização portuguesa (na altura), portanto foi uma boa catapulta de oportunidades. Uma experiência bastante enriquecedora, portanto. |
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